Gravidez de gêmeos e suas complicações!

Atualizado: Jun 10


As gestações gemelares estão associadas a um maior risco de partos prematuros, de recém nascidos de baixo peso e de malformações fetais. Além disso, existe um maior risco materno de pré-eclâmpsia, eclâmpsia e hemorragias.

As gestações monocoriônicas (que possuem uma só placenta) apresentam maiores riscos de complicações, por isso, saber o tipo de gravidez gemelar é de fundamental importância durante o pré-natal.

A ultrassonografia do 1º trimestre é essencial para saber qual o tipo da gestação gemelar, pois a determinação do número de placentas pelo ultrassom é mais difícil no segundo e no terceiro trimestres.

Estudos afirmam existir um aumento de alterações congênitas e do risco de cromossomopatias em gestações gemelares.

São exemplos de complicações fetais específicas da gravidez gemelar:

  • Morte Fetal Intraútero: a morte intraútero de um dos fetos é observada em 5% das gestações gemelares. O óbito que acontece no início da gestação geralmente é acompanhado de absorção fetal sem problemas. O risco de morte para o gêmeo que permaneceu vivo depende do tempo e da causa do óbito do gêmeo falecido, do grau de compartilhamento da circulação fetal dos dois e da idade gestacional.

  • Gêmeos conjugados: são também chamados de gêmeos siameses. Esse tipo de complicação é decorrente da divisão tardia de um único ovo fecundado após o 13º dia pós-concepção. Ocorre em 1% das gestações gemelares monocoriônicas monoamnióticas.

  • Fetus in fetu (feto incluso): é uma alteração onde um gêmeo se encontra no interior do outro. O feto que cresce absorve o outro gêmeo ao redor da 3ª semana de gestação. Do ponto de vista ultrassonográfico pode-se visualizar uma tumoração complexa no feto que está se desenvolvendo.

  • Sequência TRAP: esta complicação também é conhecida como gêmeo acárdico ou perfusão arterial reversa do gemelar. Ocorre em 1% das gestações monocoriônicas monoamnióticas. Nesta complicação ocorre a perfusão (oxigenação) inadequada de um gêmeo. Um feto é normal (chamado de feto doador) e o outro feto é muito mal formado (chamado de feto receptor). O gêmeo doador bombeia sangue desoxigenado e com baixa pressão para o para o gêmeo receptor, devido a anastomoses vasculares. Esse sangue desoxigenado chega para o receptor e perfunde ("nutre") preferencialmente a parte inferior do corpo, resultando em formação incompleta e ou deterioração de tecidos fetais, principalmente da metade superior do corpo (cabeça, coração, pulmões e membros superiores). O gêmeo doador também tem riscos, podendo desenvolver insuficiência cardíaca congestiva, já que seu coração está bombeando para perfundir dois corpos. Também há risco de hidropsia (acúmulo anormal de líquido nas cavidades do corpo) e morte intrauterina. Em alguns casos, pode haver tratamento, com recursos da medicina fetal.

  • Síndrome da Transfusão Feto-Fetal: esta síndrome envolve gêmeos monozigóticos e monocoriônicos, em especial os diamnióticos (com duas bolsas). Incide em cerca de 15% das gestações monocoriônicas no 2º trimestre e, se não tratada quando ocorre antes de 24 semanas, está associada à morte de um ou dos dois fetos em 80 a 90% doas casos. Acontece nesta síndrome, uma comunicação das circulações na região da placenta (anastomoses), que causa um desequilíbrio da transfusão sanguínea em favor de um dos fetos. Portanto, ocorre transfusão de um dos fetos (doador) para o outro feto (receptor). O feto doador desenvolve anemia, oligoâmnio (pouco líquido) e restrição do crescimento intrauterino. O feto receptor desenvolve macrossomia (feto grande), polidrâmnio (aumento do líquido), hidropsia e insuficiência cardíaca. Dependendo do estágio de gravidade desta síndrome, pode ocorrer a morte de um ou de ambos os gêmeos. Recursos da medicina fetal podem ser utilizados para o tratamento da síndrome da transfusão feto-fetal, a depender do seu estágio e idade gestacional.

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